Buscar
  • Comunidade Servir

Vida Missionária


Vida missionária

Ser missionário não é privilégio de apenas algumas pessoas, mas de todo cristão: “Ai de mim se não anunciar o evangelho!” 1Cor 9,16. Todo cristão precisa ter este coração missionário que deseja levar Deus aonde quer que vá.

Não é somente indo para missões distantes, em outras cidades, mas assumindo a missão aí pertinho de você, na sua casa, no seu trabalho, na sua família, no seu casamento. Ser missionário nos lugares ordinários onde você vive, vivendo os valores do evangelho, anunciando a verdade do amor de Deus.

Portanto, todo cristão é chamado a ser missionário. Muitos são chamados a uma vocação particular á serviço da Igreja, como é o caso do sacerdote, os consagrados na congregações religiosas, como também nas Novas Comunidades e Movimentos Eclesiais.

Talvez você não foi chamado a se consagrar a uma comunidade, mas é chamado a ser missionário na realidade em que se encontra: na faculdade, na família, no trabalho. Onde há pessoas, ai existe uma oportunidade de exercer nosso ser missionário.

A mensagem do Papa Francisco revela uma preocupação com a missionariedade cristã. E neste aspecto, foi taxativo: "não se pode anunciar Jesus sem a Igreja". Um golpe certeiro na mentalidade moderna que corrói alguns ambientes católicos e prega que é possível professar a fé na sua integridade sem pertencer ao Corpo de Cristo.

Esse ponto da espiritualidade cristã, sobre o qual Francisco tem se debruçado insistentemente, surge em boa hora, ainda mais quando se constata uma profunda confusão a respeito do significado de evangelizar. A confusão nasce daquela atitude denunciada por Bento XVI na Carta Apostólica Porta Fidei: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado".

E isso se vê na prática, sobretudo em certas propostas missionárias que, em nome de uma errônea concepção de respeito, esvaziam a mensagem cristã de seu conteúdo, às vezes até mitigando alguns de seus ensinamentos, e em seu lugar propõem soluções políticas e ideológicas, sendo muitas delas contrárias à Doutrina Social da Igreja. Tal ativismo não só já foi rejeitado pelos Papas, como também condenado: "Devem ser chamados a melhores sentimentos quantos presumam que se possa salvar o mundo por meio daquela que foi justamente designada como a "heresia da ação": daquela ação que não tem os seus fundamentos nos auxílios da graça, e não se serve constantemente dos meios necessários a obtenção da santidade, que Cristo nos proporciona". (Pio XII, Exortação apostólica sobre a santidade da vida sacerdotal Menti nostræ, 58, 27 de setembro de 1950).

É exatamente contra essa "heresia da ação" que Francisco se levanta na sua mensagem: "A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo". Por isso, não faz sentido a ação social se ela não estiver enraizada no Evangelho, uma vez que "sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo" (Cf. Caritas in veritate, n. 3). Desse modo - lembra o Santo Padre - o anúncio da Palavra de Deus, feito a partir da Igreja, é "um princípio fundamental para todo o evangelizador". Além disso, "a solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham conosco o caminho da vida". Ou seja, quem não anuncia Cristo em comunhão com a sua Igreja demonstra que não está convencido da mensagem que Ele deixou.

E não se diga que a evangelização dos povos e culturas é uma violência à liberdade de consciência, muito pelo contrário. "Propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade" ( Cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Portanto, ensina Francisco, "a missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher".

Resumindo, a mensagem de Francisco nada mais é que a mensagem de Cristo: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações" (Mt 28,19).

“O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios : onipotência sem poder; embriaguez sem vinho e vida sem morte”!

São Francisco de Assis

Ruth Abreu

Co-fundadora da Comunidade Servir


149 visualizações